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A ECONOMIA LADO A LADO COM A SAÚDE

A economia lado a lado com a saúde

O terceiro painel e que fechou o evento de 2021, trouxe uma aula magna que nos deu uma lição de humanidade e humildade da ex-ministra da Economia e Finanças do Peru, Maria Antonieta Alva Luperdi, de apenas 36 anos.

Toni, como é chamada, descreveu o Peru como um pesadelo microeconômico, com diversos problemas internos e dificuldade para oferecer saúde aos peruanos, apesar do aumento no orçamento de saúde para 2021 e do crescimento em diversas áreas, ainda era um dos mais atrasados países do mundo no que tange a mortalidade materna em 2000. O país sofre ainda com desregulamentação, conflitos políticos e problemas estruturais como alta taxa de trabalhadores informais e preço elevado de medicações.

“O melhor plano econômico foi combater a disseminação do vírus. Tivemos um lockdow bastante agressivo, o que foi ruim para a economia, mas nossa escolha foi pela vida”, confessou Toni.

A ministra contou que havia poucos leitos de UTI no país e que em março de 2020 foi destinada uma verba maior para a criação de leitos do que jamais havia sido feito em décadas. “Crises são grandes oportunidades de mudanças. O lockdown reduziu o PIB, mas evitamos a disseminação do vírus pelo país todo, ao mesmo tempo, o que levaria ao total colapso do sistema de saúde”.

Discussão nas fronteiras das disciplinas e diversidade

Edson Araujo, do Banco Mundial, que mediou o painel e tem sido um importante apoiador do Global Forum desde sua primeira edição, deu início ao último debate falando da importância de olhar para a economia no momento em que estamos da pandemia. Apesar de vermos a saúde como um gerador de valor econômico, houve um enorme aumento de gastos com a pandemia e ela ainda deixou uma demanda represada nas outras questões de saúde, o que irá consumir recursos no próximo ano.

O envelhecimento da população também vai afetar a questão orçamentária, informou Felipe Salto, do Instituto Fiscal Independente, para quem, apesar do SUS ter apresentado enormes avanços na saúde e queda na mortalidade, tem custo muito alto. “O Brasil não gasta pouco com saúde, mas está atrasado em planejar e estamos caminhando para o ‘não sustentável’”, declarou.

Para o economista e professor do Insper, Paulo Furquim de Azevedo “além do envelhecimento da população, temos mudanças na epidemiologia, com doenças que precisam de tratamento por mais tempo. Eu não descartaria o aumento do gasto na saúde desde que isso não prejudicasse outros orçamentos, como o da Educação”. Furquim ainda destacou que o sistema apresenta dificuldade de coordenação entre o público e o privado.

Outro ponto abordado foi a necessidade de austeridade fiscal, já que não há avaliação da qualidade dos serviços oferecidos. “Temos a impressão de que a Atenção Básica é uma solução barata e que produz qualidade, mas efetivamente não existe essa avaliação”, lamenta Felipe.

Furquim chamou a atenção para o fato que temos uma estrutura boa, haja visto termos conseguido vacinar até 2 milhões de pessoas em um só dia. “Tenho a impressão de que o corporativismo atrapalha, mas a pandemia curou alguns males, como a liberação da telemedicina, como uma solução mais barata e que fez total diferença no período”, finalizou.

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