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A infodemia e a saúde

A difícil tarefa de separar o joio do trigo

Um dos ricos debates do último dia do Global Forum Fronteiras da Saúde tratou de um outro tipo de pandemia – e que afetou diretamente os cuidados com o covid-19 neste período, tornando-o ainda mais turbulento: a pandemia de informações.

Chamado de “infodemia” pela própria OMS, a palavra foi criada para definir o excesso de informação e não tem a ver somente com quantidade, mas com a qualidade dessa informação e autoridade da origem das notícias que invadiram todos os instrumentos de comunicação – dos mais informais até os mais sérios.

A jornalista Guta Nascimento conduziu uma conversa alertadora com a presidente do Instituto Palavra Aberta, Patricia Blanco, que é também diretora do programa EducaMidia, com o jornalista Sério Ludtke, editor-chefe do Projeto Comprova, que realiza checagem de notícias, para falar sobre como esse fenômeno que afetou a saúde dos brasileiros durante o período pandêmico.

A concorrência entre a notícia correta e a fake news é desleal, segundo Sérgio. “Quem vai causar um dano conta apenas com sua imaginação e um enorme arsenal de ferramentas como vídeo, ilustrações, chamadas sensacionalistas, enquanto quem faz jornalismo e checagem é totalmente limitado pelos fatos”, pondera.

A concorrência nas redes sociais é difícil porque o que é “sensacional” é o que viraliza e é terreno fértil para a imaginação. Por isso Patrícia alerta as pessoas a saírem da passividade para avaliar a informação que recebem. “Sempre é desinformação quando a chamada já conclama para uma ação que seja dividir a informação com urgência e quando a mensagem ataca as instituições”, alerta.

Para Sérgio, o que torna difícil a identificação da verdade e da mentira é que geralmente os boatos têm sempre algo de verdadeiro e a desinformação é um processo de convencimento que tem parte real e parte mentira. “Há sites que emulam as notícias reais para dar informações falsas e é difícil fazer essa distinção. Eu não prego o ceticismo. Se existe sociedade hoje é porque há confiança, mas uma dose de descrédito temos de ter”, pondera o jornalista.

“Vejo que temos um desafio de construir a consciência crítica para ler informações”, afirma Patricia, que acredita que precisamos sair da nossa “bolha” para ajudar a criar nossa própria opinião.

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